4.11.12

Sem palavras


Já estamos de volta ao Brasil, chegamos ontem à noite e a o nosso passeio teve um fechamento com uma chave do mais puro ouro.
Como o Xico dizia durante a viagem, quando a gente pensava que já tinha visto o mais lindo e sentido a maior emoção, ainda havia mais nos esperando.

No avião, sentada ao meu lado, estava uma senhora mais senhora do que eu, que não parecia uma turista, Falava um pouquinho de inglês e eu um pouquinho pouquíssimo, mas, mesmo assim, conseguimos nos entender.
Contou que era holandesa e que a viagem ao Brasil era a realização de um grande sonho. Estava vindo para encontrar o filho que ela não via há quarenta e cinco anos. Sim, não via o filho há quarenta e cinco anos! Fiquei só tentando imaginar como seria esta emoção...
Ela casou muito jovem, teve um filho e divorciou-se. Quando o menino tinha oito anos, não podendo sustentá-lo, ele foi entregue para adoção e ela nunca mais soube dele.
Há alguns anos, com a ajuda de amigos, começou a procurá-lo na internet. E teve sucesso: ela o encontrou!
Seu filho havia sido adotado por um casal de holandeses, que o trouxeram para o Brasil. Hoje, mora em Vera Cruz, no interior do Rio Grande do Sul, onde cresceu, casou com uma brasileira, tem dois filhos e é padeiro.
Não preciso dizer a vocês o quanto fiquei emocionada! Nós duas choramos juntas.
Apesar da dificuldade de comunicação verbal, a comunicação pela emoção “falou mais alto”.
Na chegada, a verificação do passaporte deles foi lenta. Ela ficou um pouco assustada e segurou a minha mão.
Infelizmente, não sei como dizer com palavras, tudo o que senti naquele momento. Quais seriam as palavras certas?  Solidariedade, carinho, afeto, medo, amor?  Não sei, qualquer uma delas não trás a sensação que eu senti de estar junto.
Mas, ainda havia ainda uma emoção maior.
Fiquei afastada no momento do encontro dos dois, mas não resisti e fiz uma foto, só uma.
Poucas vezes na vida vi tanta felicidade como a daquela mãe e daquele filho se reencontrando!
E, enquanto escrevo, penso na Joana e na Lenore que, tenho certeza, um dia também vão se reencontrar!

p.s. Joana desapareceu no dia 13 de março de 2011, em Florianópolis, e Lenore é a sua mãe.